Wednesday, November 09, 2005

Sobre a confusão na Europa

Com todos estes acontecimentos de tensão social na França e uma discussão acalorada no site do CHONGAS, onde assino como Lasher, acabei encontrando um texto que escrevi quando estava em Portugal, logo após ter chegado da feira Eurobanking em Frankfurt na Alemanha. Na Alemanha estive com um grupo de brasileiros representando o país pela SOFTEX. Como é normal na Alemanha, tanto eu quanto outros brasileiros nos hospedamos em casas de pessoas normais que ganham dinheiro extra com isso. Existem agências que cuidam especificamente deste tipo de hospedagem e foi assim que nos arranjamos. Eu e outro brasileiro ficamos na casa de uma senhora muito simpática em um bairro de classe média alta. Um outro brasileiro ficou em um bairro de trabalhadores manuais. Este brasileiro, muito simpático, o típico animador de festas, foi a um bar da região e quase entrou em uma grande enrascada por conta de um sujeito neo-nazista que ficou incomodado com o seu brilho. Foi salvo pelos amigos alemães que fez no bar. Talvez eu ainda conte esta história neste blog. Mas o que me interessa é mostrar a impressão que eu tive de Portugal nesta mesma viagem de três semanas que ainda incluiu uma passagem pela COMDEX Las Vegas aqui nos EUA em uma de suas últimas edições. Este post vai em homenagem ao blog O Vizinho:

Visões sobre Portugal (Escrito em 7/11/2000)

Estando em Cascais, um balneário da grande Lisboa, onde mora meu irmão e tendo compromissos sérios e não tão sérios na capital sou obrigado a uma grande jornada para chegar aos meus destinos. Um trem, ou combôio como aqui se chama, que vai de Cascais ao Cais de Sodré seguido de inúmeras trocas no metrô, ou metro como falam os portugueses. A viagem é agradável, nada a comparar com o transporte público do Brasil. Tão agradável que aproveito para observar enquanto viajo. Observar o povo e os lugares. No primeiro trem para Lisboa, vejo um ato de vandalismo, alguém riscou nas costas da cadeira, alguém que provavelmente estava sentado onde ora eu sentava. Dizia, "CARLOS SOUSA AMO-TE LOUCAMENTE, ROSA SOUSA". Vi vandalismo mais bem elaborado, em tintas, em Frankfurt, na Alemanha, como uma bela suástica pintada em um portão de ferro. O vandalismo em Portugal pelo menos tratava de amor, amor louco, mas amor. No mesmo dia, no carro de metrô, no meu caminho de volta, vejo um ataque, agora em giz, de Daniela e Xena. Em um canto, "DANIELA & XENA 100% AMIGAS", em outro: "DANIELA AMA LUIS" e mais adiante, "XENA AMA CARECA". Que amor tem para oferecer as duas, provavelmente adolescentes, são amigas em seu grau mais elevado, que se medido em percentagem soma cem porcento e ainda assim possuem espaço para amarem Luis e Careca. E que amor tem Rosa, por seu esposo, pelo que parece por possuírem mesmo sobrenome, que chega a ser louco. Camões, um também Português, mais famoso que Xena, Daniela e Rosa, acredita em um amor menos consumidor, que "é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer."

Entretanto, exageros à parte, o vandalismo do amor é menos ofensivo e mais divertido de se ver.

4 comments:

O Vizinho said...

Oi meu amigo.
Gostei muito da sua prosa.
A sua visão do povo português é muito poética. Infelizmente não somos tão perfeitos assim. Ninguém é.
Também eu espero um dia poder visitar o maravilhoso (porém perigoso) Brasil.
Talvez um dia, quem sabe, poderemos tomar um chopinho durante uma conversa interessante e enquanto apreciamos as lindas garotas e as magníficas paisagens.
Um abraço do Vizinho e obrigado pela dedicatória.

Zarastruta said...

Vizinho,

Não que eu tenha pintado um retrato de um povo maravilhoso, mas om povo português é sem dúvida mais humano do que o alemão, de onde partiu minha comparação. Eu gosto muito de Portugal e me arrependo de não tê-lo conhecido antes. A primeira vez que fui a Portugal foi na vitória do Porto depois de anos. Sai do metrô da Barra do Chiado ouvindo buzinas e gritos. Pensei estar em uma nova Revolução dos Cravos.

Eu hoje moro nos EUA e nosso chopinho (ou imperial) no Brasil vai ficar mais complicado. De qualquer maneira, agradeço o convite.

O Brasil não é tão perigoso quanto a imprensa pinta. Pelo menos longe do eixo Rio-São Paulo as coisas são mais tranqüilas. Conheça Fortaleza e Natal e você verá como o nível de violência é Europeu (eu ouvi isto de um investidor Português a caminho de Fortaleza).

Continue com o bom trabalho com o seu blog e parabéns pelo sucesso.

Um abraço,

Zarastruta.

Hemeterio said...

Z e Vizinho;

As potas aqui tão abertas. Chopp e desfile de beldades é o que não falta. Apesar dos pesares, com toda nossa esculhambação, a velha Fortaleza ainda tem níveis de violência primários. parece o Rio há 30 anos.

Mas aprendemos rápido.

Branca said...

Violência e vandalismo infelizmente vemos em todos os lugares do mundo!
Tipos diferentes, em momentos diferentes, por causas diferentes...
Cobiça, poder, inveja, maldade... e agora tb por amor!

gostei muito do seu blog!