Saturday, March 18, 2006

Hope of Deliverance


No final de semana fui com a família para um churrasco, à moda brasileira, preparado por um americano. O tal amigo é o Ron, apresentado no post sobre o carnaval de Pflugerville. O churrasco era próximo de Fort Worth, na região de Dallas, na casa do chefe do Ron, uma figura importante no ramo de transportes.

A casa do Sr. X, como vou chamá-lo aqui, é impressionante, bem como o condomínio. Este local é um afluente subúrbio da região. Não se deixe enganar pelo palavra subúrbio, que tem conotação negativa no Brasil. Subúrbio é a designação da área mais afastada da cidade grande (neste caso Dallas). No Brasil, estar longe da cidade é mal, aqui é o contrário. Somente mora na cidade quem não tem outro jeito (exceto por Manhattan, onde morar na cidade é o que há de bom). Mas quem conhece Alphaville, em São Paulo, também entende o que é isto.

Eu tive a oportunidade de conversar bastante com o Sr. X. Uma pessoa notável: muito culto, educado e agradável. Também uma pessoa triste, de tristeza complexa. A tristeza de quem não se espanta com mais com nada, de quem não acredita em mais nada. E isto tudo porque ele é um daqueles que descobriu o sentido da vida: que a vida não tem sentido. Ah! maldito Sartre!

Ron (e Elza) são os arautos da esperança, pessoas que ainda procuram o sentido da vida e, nesta busca, acabam criando o sentido em si. Yuri e Alê também são pessoas desta linha, mas já não tenho a distância necessária para incluí-los sem bias. Uma expressão em inglês que é muito usada, principalmente em círculos religiosos, é o título deste post, Hope of Deliverance, que significa algo como fé em que as coisas irão dar certo. E esta fé não é para todo mundo. Quem perdeu a inocência, perdeu a fé. A religiosidade alija a humanidade e esta, a religiosidade. Este país foi fundado e é mantido pela Hope of Deliverance. O Sr. X não se enquadra. Parece mais europeu neste sentido.

Paulo era judeu, mas cidadão romano, que de tanta formação humanística perdeu a tal fé. Então algo aconteceu (fala-se da queda do cavalo e da famosa pergunta:”por que me persegues?”) que o fez perceber que algo nele havia quebrado (e não era nenhum osso). Ele escreveu uma das obras mais bonitas de todos os tempos, as famosas carta aos coríntios e é tido por muitos como o homem que criou o cristianismo universal, tirando-lhe o caratér de seita judáica, ainda ligada ao templo. Já Nietzsche percorreu o caminho contrário. De protestante convicto, de estudar bíblia no grego, passou a filósofo humanista, que desafiou os dogmas cristãos. Dois grandes homens, cada um a seu modo.

* O figura deste post é um detalhe de pintura do Hemetério

* Todos os comentários depois do post do Contos do Fim do Mundo foram apagados por um problema no índice do blogspot.com. Desculpe qualquer incômodo. Meu advogado já estrá tratando do assunto.

4 comments:

Hemeterio said...

Ah, que pena, mas pelo menos o texto ta intacto. O foda dessas coisas gratis é que se perdeu, babau!

Zarastruta said...

Hemé,

O texto também se perdeu. A sorte é que eu fui previdente. Se quiser dou-lhe as dicas para mover o seu blog.

John Preston said...

Jesus precisava mesmo de uma pessoa como Paulo para ser a espinha da igreja, já que os outros apóstolos não se enquadravam.

Zarastruta said...

John,

O homem crou o cristianismo como conhecemos.