Friday, October 28, 2005

Deadwood e São Paulo



A grande sensação do momento na TV por aqui é Desperate Housewives que é a mistura de comédia (humor-negro) com drama. Eu pessoalmente sou fã de carteirinha do The Sopranos da HBO que vai voltar em nova temporada e fiquei fascinado com o Deadwood também da HBO.

The Sopranos: O personagem Tony Soprano, o chefão de New Jersey é uma lição de liderança melhor do que The Apprentice. O personagem não é em momento algum caricato e com certeza é possível identificá-lo com várias personalidades de nossa tão querida sociedade, mesmo que para isso seja preciso subtrair o fator ilícito, ou seja, neste caso se trata mais de liderança e poder do que do crime. Ele poderia ser um político, um advogado, um executivo poderoso, qualquer coisa nesta linha de poder e liderança.

O seriado Deadwood fala da cidade homônima na região da hoje Dakota do Sul no período anterior à anexação aos Estados Unidos da América. A cidade que possuía um grande filão de ouro atraiu o tipo errado de imigrante, a verdadeira escória, em contraposto ao típico imigrante do Mayflower que veio ao país fugindo da perseguição religiosa da rainha Elizabeth e assim criou um Estado baseado na ideologia da liberdade religiosa e de pensamento. Neste intuito tais imigrantes escreveram um contrato social ainda durante a viagem que funcionou como lei. Ao contrário do contrato social da França ou de outros países, este foi escrito do zero, para uma sociedade inexistente, sem privilêgios.

Deadwood atraiu o mesmo tipo de aventureiro que o Eldorado brasileiro atraiu, a mesma qualidade de escória. E neste ponto é que o seriado é interessante, mais interessante ainda porque eu estava lendo São Paulo: 100 anos de solidão, de Roberto Pompeu de Toledo, que traça um retrato de como uma cidade que tinha tudo para dar errado, acabou dando mais certo que o resto do país. Tanto em Deadwood (que existiu realmente) quanto na história de São Paulo, inicialmente houve o povoamento pela escória, mas depois passou a atrair a lei e as pessoas de bem.

A série se passa neste momento de transição em que a cidade começa a se preocupar em estabelecer a lei para anexar-se aos Estados Unidos. E este choque leva o coronel do local, dono do único bar e prostíbulo, Swearengen, a tanto odiar quanto precisar da nova ordem que se estabelece. Se fosse nos dias de hoje, Swearengen seria considerado um milionário pelo que possuia. A lei vem através do Bullock, um homem de bem. Deadwood era um território indígena demarcado pelos EUA, como São Paulo também era, com a proteção do Anchieta, que como Bullock, trouxe a civilização para a cidade e embora os dois fossem homens íntegros fizeram concessões para o bem da paz.

E agora chegamos finalmente ao ponto que eu queria: será que não seria possível algum programa de TV do Brasil tratar de tal assunto? Seria importante entender um pouco mais sobre nós brasileiros.

7 comments:

Edge said...

Acho q ta na hora da gente tirar o pezinho do nosso interiorzao.

Parar de fazer cinema tipo 'estacao do brasil' e fazermos mais 'redentores'. Esse filme passou aqui numa mostra de cinema e ninguem que viu sequer imaginou que tivesse sido feito no brasil pela qualidade. esperavam mais um filme de favela e sertao. Nem eu mesmo acreditei, nem sabia desse filme, so confirmei pq vi o pedro cardoso como protagonista.

E ja q tu ta falando de seriados, fala ai do Numb3rs :)

Hemeterio said...

Também acho, Edge. De terra seca e cangaceiro tô cheio.

Mais histórias e contextos urbanos seriam muito bem-vindos.

Z, e o Lost? Hein? Hein?

Zarastruta said...

Hemé,

O Lost aqui tá a todo o vapor. Ouvi falar que é muito bom, mas na verdade estou acompanhando a série que começa depois dele: Invasion. Pretendo alugar Lost assim que sair em DVD. O bom em assistir séries aqui é que eu programo para gravar as séries no DVR (Digital Video Recorder) e assim não perco um só capítulo.

Zarastruta said...

Edge,

Infelizmente eu não conheço a série numb3rs. Fico até encabulado de falar isto, já que pelo nome parece interessante.

Edge said...

E' uma equipe que trabalha no FBI. Tem 3 maneis que vao a campo com armas etc e um ze doidim que e' um genio da matematica...o trabalho do doidim e' seguir padroes de quadrilhas. pistas das balas no chao, caminho escolhido pelos bandidos etc e atraves de formulas matematicas (detalhadamente explicadas no programa, legal isso) fazer o 'pin point' dos meliantes e seus proximos alvos.
Parece aquelas coisas do indiana jones com formulas matematicas como aquele livro que 'El H' mostrou uma vez.

Hemeterio said...

O livro é justamente o Último teorema de Fermat, apresentado a mim pelo...Z!

Eita povo parecido:-)

John Preston said...

Além de sertões eu também estou cheio de palavrões e novelas.

O jeito é assinar uma TV a cabo.